Apocalyptical Diary

by Isa Petrolio

The project

An Apocalyptical diary in the form of a TikTok account. Written by a naive girl living on a world after the apocalipse. It's a fictional story, in a fictional world but it's strongly related to our real world, specially in times like this, with a pandemic.

This girl has lived her intere life in this world with diseases, trash and pollution so she doesn't get  impressed by those things. 

Each video on TikTok represents a page on her diary talking about simple things from her life, things that also happens in our lives (maybe in a smaller scale) but we don't realize.

Why TikTok?

TikTok grew so much since the beginning of quarantine, and it's mostly known for challenges and dances but it's really a social idea like all other and you can post all types of content, just like instagram, but in vídeo format.

Right at first I knew I wanted to work with TikTok publication cause I thought it could become the next instagram. Now I'm not sure, but it's still really good for anything you that might want to go viral. Since the proposition of the work was "go viral! or not?"It makes sense.

End Of The World Aesthetic

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The name of the account is (in Portuguese) Meu diário apocalíptico, that means my apocaliptical diary, and the account is @ histórias do fim do mundo, that is stories from the end of the world.

The title of the vídeos appears with tiktok's title box to ensure that it's according to what the platform is used to.

The vídeos don't have a super well produced design so it doesn't look weird in the eyes of tiktok users, usually the vídeos are homemade, but at the same time the app algorithm has a preference for high quality and well lightened vídeos.

I kept the color pallet between greys, purples and greens that keep the vibration low. When I tried using a vibrant color It started looking like a professional photoshop 

Flowers on the background representing the hope from the naive character, and also creates a contradiction: in a world where nature almost doesn't exist, where does she get so many flowers?

It you pay attention to the videos will realize that in the first one the flowers are fresh, and during the time it starts to look dry and ugly, as if it was dyeing. 

Fabrics on the background creates a "comfy" place, and represents this "bubble" she lives in.

The process

Creating vídeos for TikTok

At first I got really stuck into this idea of having to create challenges for tiktok in order to get a good response from the audience. Cause it's what most people do. 

An alternative world that seems like the one where we're living already.

We are almost living in a fictional world from an apocalyptical movie or series. I'm creating one of these world just like many others, that reflects everything that doesn't make sense, or that bothers us in our society, as well things that shouldn't be happening but it seems normal.

Thinks we don't like such as having to wear a mask, things that don't make sense like paying for water (something that nature give us), or things that seem normal but are not such as killing animals.

When I talk about paying for water it sound normal because we already got used to it, but if I start talking about paying for air, for a fresher and cleaner air, it already sound absurd (even though there was a time when you wouldn't have to pay for water).

An naive character

She's a perfect representation of our society, living right in the middle of the problem and not seeing it. There are lots of people that would genuinely say that global worming is not real, even seen the evidences. Or kids in poor countries that have to live in the little of the landfill and end up playing with trash, cause it's normal to them.

When we see it with other eyes, from an outside perspective we see that it doesn't make any sense.

She represents how silly it sound that you have all the evidences, and you are living right in the middle of the problem but still can see it.

Set decoration

The set was built with colourful fabrics, a fabric that imitates newspaper and fresh flowers. The overlaying of fabric shows that her life after the apocalipse is nothing fancy and people gotta make the most of what they have, it also creates a feeling of safeness, this is the comfortable place where she can write in her diary, and this of whatever she wants without worrying. She uses news paper because it doesn't matter in what world you're living, humans are moved by watching other humans, and newspapers are the way to do that, specially in a world with no money, and no internet (because of radiation), where you still have to communicate what's happening outside our bubble.

Why flowers

The flowers are a representation of the little about of nature that is still left.

Other Stories from the End of The World

For demonstration purpose I created 6 vídeos and posted on the platform, but this could be an ongoing series with a new vídeo everyday making a representation and bringing a different perspective of current events in Brazil or around the world that impact the population.

Here are some other exemples of stories to be told:

 

Dia 158 depois do apocalipse.

Hoje comprei a minha própria árvore. As taxas que o governo cobra pelo ar público são cada vez mais altas. Os 390 bilhões de árvores que existiam na floresta, e davam ar de graça para todo mundo, já desapareceram! Dá pra imaginar? Ar de graça… E agora temos que pagar pelo sistema público de distribuição de ar… já estava na hora de eu comprar minha própria árvore. Vou manter ela protegida por uma Doma. Não quero desperdiçar nem um pouco do meu ar.

 

Dia 164 depois do apocalipse.

Hoje dividi o elevador com uma mulher. Ela foi simpática, e estava usando a máscara e tudo mais… Mas era uma máscara tão velha… que já estava com o elástico frouxo, a máscara estava caída cobrindo o queixo e com o nariz todo aparecendo. Não sei se ela não tinha percebido ou se ela sabia mas não ligava… enfim, achei melhor não comentar, apesar de estarmos em um cubículo de um metro e meio quadrado. Tentei não olhar diretamente pra ela. 

 

Dia 215 depois do apocalipse. 

O mundo está obcecado pela internet, talvez seja porque é a única coisa que restou intacta, enquanto todo o resto está caindo aos pedaços. Talvez seja por que ela deixa uma sensação de conforto, como se tudo fosse dar certo, mesmo sabendo que nada vai se resolver sozinho. 

 

Dia 223 depois do apocalipse. 

Por que as pessoas dão tanto hate na internet? Talvez seja por que a internet deixa as pessoas amargas, e insensíveis, e elas não imaginam que por trás de todo post tem uma pessoa com sentimentos. Ou por que elas tem raiva da própria vida, por viver num mundo pós apocalíptico onde não se pode fazer nada. Se as pessoas não morrerem pelas doenças ou falta de comida, vão acabar se matando.

 

Dia 240 depois do apocalipse.

Esta semana foi noticiado que a árvore mais velha do mundo foi derrubada. Uma árvore de aproximadamente 7 mil anos, que viveu para ver toda a evolução da humanidade e, nesse caso, a degradação. Ela foi derrubada por um grupo extremista de progressistas tecnológicos, que acredita que a salvação da natureza não será a salvação da humanidade.

Isso me faz pensar que o mundo não está acabando por causa das doenças, mas sim por causa das pessoas… 

 

Dia 305 depois do apocalipse.

Hoje vi na internet um vídeo de uma mulher atacando um cachorro. Ela pulou em cima dele e amarrou as quatro patas juntas para ele não fugir. Levei um susto e comecei a me sentir muito mal, como se isso estivesse acontecendo com o meu cachorro. Meu melhor amigo e o único que me fez companhia desde que o fim do mundo começou. Fui ver os comentários do vídeo e levei um susto maior ainda ao ver pessoas rindo e fazendo piada sobre o vídeo. O que está acontecendo com todo mundo?! Foi aí que eu percebi que na verdade não era um cachorro no vídeo. Era um cabrito. E eu senti um alívio! Se fosse um cachorro todo mundo estaria sentindo o mesmo que eu senti. Então cachorro ou cabrito, qual a diferença? Por que um é trágico e o outro é engraçado?

 

Dia 312 depois do apocalipse.

Hoje, depois de quase 10 dias sem usar o celular, tive a chance de entrar nas redes sociais. Não consigo ter meu celular comigo a todo tempo por causa do limite de radiação liberado por dia. Fiquei surpresa ao ver no feed que muitas festas e encontros não oficiais estavam acontecendo. Eu sabia que a circulação fora de casa já estava mais flexível, mas eles disseram para ser cauteloso e não juntar mais de 6 pessoas. Naquele post eu conseguia ver até 20 pessoas se abraçando. 

 

Dia 329 depois do apocalipse.

É irônico como a internet é de graça para todos acessarem quanto quiserem, mas os médicos do departamento de saúde estabelecem um limite de absorção de radioatividade por dia. Dessa forma tenho que escolher entre comer e beber água, tomar banho ou usar a internet pelo celular. O estoque de água livre de radiação da minha cidade já está quase esgotado e estão guardando para possíveis negócios com outros estados, e o sistema de limpeza de água também não recebe mais verbas, assim todas as pessoas tem que consumir o mínimo de água possível, para não arriscar atingir o limite máximo de radiação de uma vez. 

 

Dia 347 depois do apocalipse.

Já estamos nessa situação há quase um ano, e meus pais foram dispensados do trabalho. Eles trabalhavam para o governo, no escritório de finanças da NúcleoBrás, a empresa de produção de energia nuclear. Alguém no departamento deles adulterou os dados de algumas contas para receber mais energia, e o departamento inteiro foi mandado embora. Trabalhar para o governo era bom, por que tínhamos garantido um tanto de ar, água descontaminada e energia. Além de receber gratuitamente uma grande quantidade de pílulas da felicidade. Pelo menos agora que eles foram demitidos eles estão livres do contrato de 14 anos, trabalhando sem férias e sem descanso semanal. Mas agora eu vou ter que trabalhar…

Dia 427 depois do apocalipse.

Hoje eu acordei com o Céu super Cinza! Isso me deu uma vontade de ir correr no parque! Faz mais de uma semana que tá tendo fumaça direto e o céu fica o dia inteiro preto! Minha vó riu de mim, e disse que antigamente o céu era azul… 

Dia 666 depois do apocalipse. 

Estou com medo por que ouvi boatos de que este é o número do diabo. Apesar de as religiões já terem caído faz tempo ainda existem adoradores que contam as histórias de doutrinas e regras religiosas. Pelo que ouvi hoje é o dia em que eu não posso pisar nas linhas do chão, nem passar por baixo dos elevadores (na época eram usadas as escadas), e também não posso encontrar nenhum gato preto, apesar disso ser difícil já que a cidade está infestada por gatos de rua radioativos.

by Isa Petrolio